![]() | Questões sobre Licenciamento |
| Anterior | Filosofia | Próxima |
Talvez a mais comum (e mais mal entendida) questão acerca do projeto KDE é a questão do licenciamento. A combinação de licenças entre o KDE e o Qt fazem essa questão menos óbvia, especialmente se você está usando o KDE/Qt para desenvolver um código "fechado" ou um aplicativo comercial. Essas questões, por toda a sua complexidade, são gerenciáveis. Este capítulo vai te dar as informações de que você precisa para entender como a licença do KDE pode afetar os seus programas.
Este capítulo começa dando uma visão geral das licenças e de como elas interagem entre si. Então ele descreve as licenças do KDE e do Qt mais detalhadamente. Finalmente, ele fornece uma história curta sobre as licenças do Qt para dar à discussão sobre as licenças (e às "flame wars" que inevitavelmente virão a seguir) um pequeno contexto. O texto de várias das licenças discutidas aqui (GPL, LGPL, QPL) podem ser encontrados no Apêndice A, "Licenças Relacionadas ao KDE".
Em alguns casos o projeto KDE usa uma licença diferente da que foi escolhida pela Trolltech para o Qt. Essas licenças tem propósitos diferentes e se aplicam aos programas de jeitos diferentes. Como um exemplo rápido, você pode usar livremente as bibliotecas do KDE em qualquer tipo de projeto, seja ele livre ou não. Entretanto, se o seu projeto não é livre, você deve pagar por uma licença do Qt.
O projeto KDE, como uma política, não requer que o código esteja de acordo com uma licença específica a ser incluída nos pacotes básicos. Entretanto, é necessário que o código tenha uma licença e esta licença tem que ser Open Source. Essa é a política oficial.
Na realidade, quase todos os códigos nas bibliotecas do KDE estão sob a Library GNU Public License (LGPL) como definido pela Free Software Foundation (FSF). Aproximadamente, todos os códigos dos aplicativos do KDE estão licenciados sob a GNU Public License (GPL), como também é definido pela FSF. Aqueles bits de código que não estão licenciados sob a LGPL ou GPL (como o sistema DCOP, o Kwin e o Kicker) são licenciados sob uma licença do tipo "domínio público" (por exemplo, o BSD, X11 ou o MIT), o que nos diz que você pode usar o código de qualquer jeito que você queira contanto que não processe o autor dele. O código que está sob essas licenças é, invariavelmente, aquele que nós encorajamos os nossos desenvolvedores a incorporar em programas comerciais (para fazer sua aceitação mais universal, por exemplo).
A licença da biblioteca Qt varia dependendo de sua versão. Todas as versões anteriores a 2.0 estão sob a licença FreeQt. Todas as versões a partir da 2.0 (incluindo esta) estão sob a Q Public License (QPL). Versões do Qt a partir da 2.2 podem também estar sob a GPL. Para ser um pouco mais preciso, isto se refere apenas a versão free. Em todos os casos, desenvolvimento de código comercial e fechado requer uma licença "comercial" do Qt (esta será explicada mais tarde em "A licença FreeQt").
A interação entre as licenças do KDE e do Qt e o seu próprio projeto varia dependendo da estrutura de licenciamento do seu próprio projeto. Esta seção lista várias situações comuns em relação a licenças. Encontre uma que se pareça com a sua situação e você verá como as licenças afetam você.
"Meu projeto é completamente coberto por uma licença Open Source"
Esta é a situação mais fácil (e mais comum). No seu caso, você pode usar as bibliotecas do KDE e do Qt para desenvolver o seu aplicativo sem ter que pagar nada a ninguém. Também não há restrições sobre como você vai usar as bibliotecas do KDE. As restrições do Qt podem ser aplicadas dependendo de qual versão você está usando (Qt 1.x ou Qt 2.x).
"Meu projeto é completamente código-fechado"
Esta é a segunda (porém muito menos comum) situação mais fácil. Você pode usar e linkar as bibliotecas do KDE mas não pode modificá- las. Você também deve entrar em contato com a Troll Tech e adquirir uma licença comercial do Qt, e você vai ter que pagar por isso.
"Meu projeto é coberto por uma licença Open Source, mas eu planejo vendê-lo"
Em alguns aspectos, isto é similar a situação de alguns distribuidores de Linux no ponto em que eles pegam projetos Open Source e os vendem. Você pode usar e modificar as bibliotecas do KDE do jeito padrão e você também pode usar o Qt sem ter que adquirir uma licença comercial para isso.
"Meu projeto não é Open Source, mas eu o distribuo sem cobrar nada por isso."
Isto é similar ao que a Microsoft faz com o Internet Explorer. Infelizmente, apenas o fato de você "dar" o seu programa, não faz dele um projeto free - e é isso que se usa para determinar a interação entre as licenças do KDE e do Qt. O resultado final é idêntico à situação anterior de código-fechado: você pode usar mas não pode modificar as bibliotecas do KDE e você deve comprar uma licença comercial da Troll Tech para usar o Qt.
"Meu projeto é para uso interno apenas. Minha companhia não pretende lançar o produto no mercado."
Em um primeiro momento, esta situação parece ambígua; realmente não é. Enquanto as várias licenças se referem à distribuição, elas não apenas se referem a lançamentos para "o mundo exterior", elas também se referem a lançamentos internos de uma empresa (por exemplo, um lançamento de programa apenas internamente em uma empresa). Avaliar as licenças neste caso, é identico a todos os casos anteriormente examinados.
Tudo depende em se sua companhia (e seu chefe) vai ou não permitir você licenciar o projeto sob uma licença Open Source. Se sim, então você pode tratá- lo como outro projeto Open Source qualquer, não importando se ele é interno ou não. Basicamente, se qualquer usuário do seu projeto (nesse caso, "outro usuário" é um outro funcionário da sua companhia) tiver o direito de conseguir os códigos-fonte, modificá- lo e redistribuí- lo gratuitamente, então você pode usar o Qt como qualquer outra biblioteca sob a licença GPL. Se fazer isso contradiz as políticas da sua empresa, então você deve comprar uma licença comercial da Troll Tech.
| Anterior | Principal | Próxima |
| Filosofia | Acima | O uso das licenças pelo KDE |